Achadas gravuras rupestres de 10 mil anos em SP

Ag?ncia Estado

Uma equipe de pesquisadores encontrou um s?tio arqueol?gico com gravuras rupestres e antigos objetos em uma gruta natural na fazenda S?o Bento, em Bragan?a Paulista, a 83 km de S?o Paulo. ? a 17? descoberta do tipo no estado e, acredita-se, a mais antiga.

An?lises v?o determinar quando as gravuras foram feitas e de que per?odo s?o as ferramentas e objetos encontrados no local, atrav?s de testes de Carbono 14. Paulo Zanettini, coordenador da investiga??o, acredita que o s?tio possa ter at? 10 mil anos. No local tamb?m foram identificados vest?gios de pintura rupestre com uma esp?cie de tinta vermelha.

N?mades

De acordo com Zanettini, assim como nos demais s?tios paulistas espalhados em 12 cidades do interior, a gruta de Bragan?a provavelmente foi utilizada por grupos n?mades de ca?adores e coletores de alimentos. Batizada de Toca da Paineira, a gruta ? uma forma??o de granito que pode ter servido como abrigo e posto de vigil?ncia, j? que oferece total visibilidade de uma grande plan?cie.

?J? fizemos uma sondagem entre os moradores da regi?o e descobrimos que existem pelo menos mais duas forma??es como a Toca da Paineira nas mesmas condi??es de visibilidade na regi?o. Precisamos determinar se esses locais cont?m objetos arqueol?gicos tamb?m?, observa Zanettini.

Desenho Pr?-Hist?rico

A maior gravura, escavada com instrumentos feitos de pedras levadas de outros locais para a gruta, tem 5 metros de altura e 3,5 metros de largura. Cont?m uma s?rie de pequenos buracos sim?tricos escavados em um bloco de granito, al?m de algumas linhas, curvas e c?rculos que formam desenhos desconexos. O significado dos desenhos ? um mist?rio e pode permanecer assim.

?Qualquer interpreta??o que fizermos ser? uma atitude subjetiva de algo que n?o conseguimos entender. ? como olhar para as nuvens e interpretar o que se est? vendo?, diz Zanettini. Para a pesquisa arqueol?gica, a falta de interpreta??o n?o ? um fator determinante. O objetivo ? a constata??o da utiliza??o do local e a preserva??o da hist?ria.

Empresa Arqueol?gica

Os restos arqueol?gicos na Toca da Paineira foram descobertos durante estudos feitos pela empresa de arqueologia de Zanettini, iniciados em junho de 2006 para a explora??o de minera??o de granito preto, min?rio muito utilizado na constru??o de t?mulos.

A legisla??o ambiental determina que todas as obras com efetiva interfer?ncia no ambiente sejam avaliadas por empresas de arqueologia. A minera??o n?o vai afetar a gruta, j? que a ?rea destinada para a extra??o mineral fica a cerca de 1 km do s?tio arqueol?gico. Deve demorar pelo menos um ano at? que todo o material seja retirado, catalogado, estudado, destinado para museus ou preservado no mesmo local.

H? alguns anos duas Igrejas evang?licas de Bragan?a Paulista utilizavam a Toca da Paineira para realizar cultos. A pr?tica foi proibida pelo propriet?rio da fazenda, o empres?rio Marcos da Silva Pinto, de 51 anos. ?O local come?ou a ser depredado?, afirma Pinto, que tamb?m utilizava o local nos finais de semana para descansar apreciando a vista.

?Sempre vimos esses desenhos mas nunca imaginamos que tinha algum valor hist?rico?, disse o empres?rio, que pretende criar um espa?o de turismo hist?rico. Marcos da Silva Pinto tamb?m quer criar um espa?o de estudos para crian?as no novo s?tio arqueol?gico.

Canoas Ind?genas

Os pesquisadores do s?tio de Bragan?a Paulista buscam financiamentos para ampliar as pesquisas na regi?o. Al?m de procurar mais vest?gios de atividade pr?-hist?rica na ?rea, as investiga??es devem levar em conta a descoberta de uma canoa feita de um s? tronco de ?rvore escavado, um objeto conhecido como mon?xila.

O pesquisador do Centro de Estudos de Arqueologia N?utica e Subaqu?tica do N?cleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (Nepam) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Gilson Rambelli, participou dos estudos iniciais, que pararam por falta de verba.

Segundo Rambelli, o objeto foi embalado em uma tela de n?ilon e levado para um local do rio com pouca correnteza, seguindo crit?rios internacionais de conserva??o.

? a segunda canoa desse tipo encontrada no rio. A primeira, descoberta em 1998, est? exposta no Museu de Bragan?a Paulista. Foi confeccionada, segundo testes do Carbono 14, h? 250 anos e utilizada por ind?genas.

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