Jesus foi para o Inferno
Você pode ou não acreditar nela, mas é inegável que a liturgia feita para comemorar a morte e ressurreição de Jesus alcança, em vários momentos, uma beleza arrebatadora. Talvez o elemento mais tocante seja o que, na Inglaterra medieval, costumava-se chamar de harrowing of Hell – algo como “a vitória sobre o inferno”, que teria acontecido no Sábado de Aleluia. A expressão se refere à tese de que, antes de ressuscitar, Jesus teria experimentado a totalidade do sofrimento humano na hora da morte, descendo ao próprio inferno. E mais: feito um general vitorioso, ele teria arrancado da prisão infernal as almas dos justos, que só podiam chegar ao paraíso com a ajuda de Cristo. Se você é católico, já ouviu essa história, ainda que com outro nome: quando se diz que Jesus “desceu à mansão dos mortos”, trata-se de uma adaptação da expressão original, “desceu aos infernos”.
A história e os elementos que a circundam são exemplos claros do mistério que circunda a experiência religiosa. Quando se observa a fé – qualquer fé – com os óculos frios e racionais do dia-a-dia, é impressionante a quantidade de paradoxos nos quais ela nos pede para acreditar. Leia o restante deste artigo >>
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