Os Anjos: Para que servem?

Saindo da Grécia e indo ao Japão, encontramos os Yökais. Outras possíveis escritas para essa palavra são: yokai e yookai. Yökai é a palavra que os japoneses usam para designar fenômenos, objetos e criaturas sobrenaturais – e que estão além da compreensão das pessoas – cuja melhor tradução seria “estranho”, “inacreditável” ou mesmo “bizarro”.

youkaiBom, para os japoneses, essas criaturas também podem ser chamadas de “ayakashi”. Frequëntemente, Yökai é traduzido errôneamente (mas, muitas vezes proposital) como demônio ou diabo, embora sejam, em essência, entidades que não possuem qualquer tipo de conotação religiosa. Eles não estão ligados diretamente a divindades, simplesmente porque o Xintoísmo não é o que pode se chamar de “religião confessional”. O Xintoísmo possui uma teologia e liturgia quase que inteiramente voltada para práticas e costumes relacionados com o relacionamento familiar (deve-se lembrar que o Japão medieval também era dividido em castas e clãs), não restando espaço para o que pode-se chamar de códigos de ética e moral na sociedade em si, como ocorre com as religiões abraâmicas (Judaísmo, Cristianismo e Islamismo), por exemplo. Como exemplo, podemos citar o culto aos ancestrais e o respeito e veneração aos mais velhos.

Por não ser uma religião voltada diretamente para o estabelecimento de valores sociais, o Xintoísmo guardou sua identidade, não se mesclando com as religiões de outras culturas, apesar de ser fundamentada nos princípios budistas. Fundamentada, mas com características próprias. O que sobrou de mais parecido com o budismo, foi o fato de não haver a quantidade de divindades que existem nas religiões nascidas na Ásia Menor e Palestina. Como exemplo de contra-ponto ao Xintoísmo, temos a Igreja Católica, que se relacionou (e ainda se relaciona) com diversas estruturas da sociedade, acabando portanto como religião confessional e voltada para o ordenamento da sociedade, inserindo-se rapidamente nas mais variadas esferas sociais como a política, economia e o direito.

Ao contrário do Catolicismo, o Xintoísmo é uma religião animista (atribui uma “alma” a todas as coisas, semelhante à alma humana), mas que inexiste deuses personificados em sua liturgia. Por um lado poderíamos considerar como sendo uma religião ateísta, posto que não há divindades definitivamente caracterizadas; entretanto, também podemos considerá-lo como sendo uma religião politeísta, já que tudo que existe no Universo seria, de certa forma, um deus. Confuso, não é? Mas, devemos lembrar que isso não acontece apenas no Xintoísmo, mas também em outras religiões do Extremo-Oriente.

Voltando aos Yökais, podemos dizer que são entidades do imaginário popular japonês que estão mais próximos de duendes e elfos da Europa, sacis e curupiras do folclore brasileiro e das lendas urbanas da atualidade. Tão reais quanto o Coelhinho da Páscoa, a Iara, Arcanjo Gabriel e outros seres mitológicos, criados nas profundezas da psique humana.

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