Os Anjos: Para que servem?
Enveredando pela mitologia árabe, podemos observar que o que mais se aproximam dos anjos são os chamados “Gênios”. Não se sabe ao certo se a referida palavra é um aportuguesamento da palavra árabe Jinn (??), ou provém da versão em latim: Genius. Na mitologia árabe pré-islâmica (e depois absorvido pelo Islã), um jinn – também escrito na forma “djinn” – é um membro dos jinni (ou “djinni”), uma raça de criaturas. A melhor tradução para a palavra “jinn” seria literalmente alguma coisa que tem uma conotação de dissimulação, invisibilidade, isolamento e distanciamento. Em suma, Gênios seriam todas e quaisquer criaturas com a faculdade de se tornarem invisíveis e/ou detentoras da arte da dissimulação.
Maomé faz referência a eles no Alcorão. A sura de número 72 recebe o nome de Al-Jinni e Maomé se diz enviado para ser profeta tanto da humanidade, como dos jinni. Aí fica evidenciado que ele dividia as entidades do mundo sobrenatural do mundo material, enquanto Allah interage com ambos, tendo poder supremo sobre os mundos natural e sobrenatural, sendo portanto supranatural, assim como YHWH dos hebreus e Deus (Jeová) do Cristianismo.
A mitologia árabe, de início, conferia peculiaridades boas e más aos gênios. Mas, com o tempo, eles acabaram tendo personalidade pérfida e malévola. Com a chegada do Islamismo, eles foram banidos de vez do panteão, sendo relacionados, majoritariamente, como sendo entidades negativas. Um exemplo é o jinn Iblis, orgulhoso e ciumento do poder de Allah, que lidera uma revolta de outros jinnis maus e muito poderosos contra o poder supremo de Allah, mas que acabam sendo atirados (ele se sua trupe) à Terra, onde passarão a tentar os seres humanos para que caiam no lado negro da Força, reunindo forças para um confronto final.
Qualquer semelhança entre esta e outra mitologia bem conhecida, NÃO É mera coincidência. Sim, exatamente! Estou falando dele: Ahriman, dos persas.
Com tantos povos vivendo juntos, conforme dito acima, nada mais natural que a maioria dos mitos sejam bem parecidos. Conforme dito por Dan Brown, usando os lábios do acadêmico Robert Langdon: “Muito pouca coisa em qualquer religião organizada é original”. Então, Ahriman dos persas acaba se convertendo em Iblis, no qual foi moldado a Chtan dos hebreus. Apesar dele não ser claramente citado na Tanakh (Bíblia hebraica) – em que a única referência a Chtan (ou Satã/Satanás) feita no Velho Testamento seja uma clara referência ao imperador babilônico Nabucodonozor – Chtan é uma entidade bem presente na mitologia hebraica, ainda que não seja escrita. Devemos lembrar que se os hebreus (e atuais judeus) sequer escrevem o nome de Deus, e qdo se referenciam a ele, escrevem D’us, por se acharem tão pequenos perante Jeová (ou Javé ou ainda YHWH), que seria um desrespeito escreverem seu nome com todas as letras, imaginem escrever o nome de uma entidade demoníaca.
Muito bem, já que mencionamos os hebreus, está chegando o momento de examinarmos a mitologia judaico-cristã.
Podemos perceber que na mitologia judaico/cristã que os anjos terminaram com um encargo mais – digamos assim – humilde; sendo rebaixados a “paus-mandados” e garotos de recado. Não passando, portanto, de mensageiros mandando notícia pra lá e pra cá, servindo de X-9 para Javé (também chamado Jeová ou YHWH).
Uma hora são mensageiros benfazejos (vide Gabriel saudando Maria), outra hora são seres perversos e chegam que nem a PM em meio a arrastão (como no caso do “bondoso” Lot, mas isso veremos a seguir). Tudo variando de acordo com o interesse do escritor da referida estória. E como há escritores para todos os gostos…
Entretanto, há coisas muito estranhas nos textos bíblicos. Sendo uma religião monoteísta, Deus faz muito uso dos anjos para, digamos, trabalhinhos sujos. Bom, o melhor é começar do princípio.
Gênesis 2:1 –Assim foram acabados os céus (por Deus), a Terra e todo seu exército.
Exército? Mas, ué? Contra quem? Não existia nada lá, afinal de contas. E não, não se pode começar com a história sobre o demo e a revolta dos anjos, pois ele sequer é mencionado no Velho Testamento, não é mesmo? Ou será…
Bem, de qualquer forma, segundo as atuais versões da Bíblia, a representação da maldade no Gênesis é uma cobra.
Gênesis 3:1 – A serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos que o Senhor Deus tinha formado. Ela disse a mulher: “É verdade que Deus vos proibiu comer do fruto de toda árvore do jardim?”
Não há indicação que era um anjo ou coisa do gênero. No máximo poderia se imaginar que as serpentes eram animais malignos, mas não entidades sobrenaturais. No original em hebraico, a palavra empregada é nachash (????? ???) e a Vulgata Latina confirma:
Sed et serpens erat callidior cunctis animantibus terrae quae fecerat Dominus Deus qui dixit ad mulierem cur praecepit vobis Deus ut non comederetis de omni ligno paradisi.
Perante isso, não se pode aceitar que era um ser sobrenatural, mas sim um dos animais criados por Javé e colocado no Jardim do Éden. Só aconteceu que este animal desenvolver uma personalidade má.